Largando no meio do pelotão, o Beccão Racing transformou 13 voltas no Kansas Speedway em uma corrida de recuperação, estratégia e coragem. Foram 14 posições conquistadas até um espetacular segundo lugar — o melhor resultado da temporada até aqui.
Há corridas em que o resultado começa a ser construído muito antes da bandeira verde.
No Kansas Speedway, foi exatamente assim.
A sexta etapa da nossa jornada no modo carreira de NASCAR 26, pela ARCA Menards Series, começou com estudo, telemetria, desenvolvimento do carro e uma classificação que nos colocou diante de um desafio considerável.
P16 no grid.
Não era uma posição ruim, mas também estava longe de representar aquilo que o carro havia demonstrado durante os treinos.
O que ninguém poderia imaginar naquele momento era que aquelas 13 voltas se transformariam em uma das maiores escaladas da temporada.
Do meio do pelotão ao Top 10.
Do Top 10 ao Top 5.
E, nas voltas finais, uma batalha intensa pela segunda colocação.
Quando a bandeira quadriculada apareceu, o resultado estava confirmado:
P2 no Kansas Speedway.
Foram 14 posições conquistadas em uma corrida que mostrou, talvez como nenhuma outra até aqui, o crescimento do projeto dentro da temporada.
Kansas exige preparação

Antes da corrida, o trabalho começou com o estudo dos pontos de lift e da melhor trajetória pelo Kansas Speedway.
O Kansas Speedway pode parecer simples quando observado de fora.
Um oval rápido, linhas abertas e espaço suficiente para trabalhar diferentes trajetórias. Mas velocidade pura não é suficiente para construir uma boa volta.
É preciso entender exatamente onde aliviar o acelerador, quanto tempo permanecer fora da potência máxima e, principalmente, como carregar velocidade durante toda a curva sem comprometer a saída.
Por isso, antes mesmo da prática oficial, tivemos uma sessão dedicada ao aprendizado do circuito.
O treinamento apresentou os pontos de lift — os momentos em que é necessário aliviar o acelerador — e utilizou a telemetria para mostrar onde ainda havia tempo a ser encontrado.
A proposta era simples: compreender o Kansas antes de tentar ser rápido no Kansas.
As primeiras referências apareceram na casa dos 34 e 35 segundos, suficientes para superar a meta estabelecida pelo treinamento.
Mais importante do que o próprio cronômetro, porém, era a sensação ao volante.
O carro começava a responder.
A trajetória começava a fazer sentido.
E as curvas deixavam de ser apenas trechos do oval para se transformarem em pontos claros de decisão.
No Kansas, manter velocidade é importante.
Saber quando não insistir nela é ainda mais.
A oficina começa a fazer diferença

Suspensão e chassi no Nível 4 marcaram mais uma etapa importante na evolução do carro.
A evolução não aconteceu apenas na pista.
Antes da corrida, também era hora de continuar o desenvolvimento estrutural do carro.
Os recursos acumulados durante as etapas anteriores permitiram investir em novos componentes, levando suspensão e chassi ao Nível 4.
Dentro de uma campanha longa, esse tipo de decisão começa a representar uma mudança importante.
Nas primeiras provas da temporada, o objetivo era sobreviver, aprender e extrair aquilo que fosse possível de um equipamento ainda limitado.
Agora, a situação começava a mudar.
O carro estava se aproximando de um nível em que seria possível não apenas reagir aos adversários, mas efetivamente disputar posições importantes.
Além das melhorias mecânicas, pontos também foram direcionados ao gerenciamento da equipe, trabalhando atributos relacionados à sorte e ao engajamento.
São decisões que acontecem longe das arquibancadas, mas que ajudam a construir aquilo que aparece quando a bandeira verde é acionada.
Kansas seria um teste importante para descobrir até onde esse desenvolvimento poderia nos levar.
A resposta não demorou.
P8 no treino livre: o primeiro sinal
A primeira sessão oficial na pista trouxe uma surpresa bastante positiva.
No treino livre, conseguimos aproveitar muito bem o vácuo dos carros à frente.
Em um oval rápido como Kansas, encontrar o posicionamento correto atrás de outro competidor pode representar uma diferença considerável na velocidade final.
E funcionou.
O carro ganhou velocidade, mostrou estabilidade e começou a avançar na tabela de tempos.
Quando a sessão terminou, estávamos em P8.
Top 10.
Era um resultado que mudava completamente a perspectiva para o restante do fim de semana.
Depois das dificuldades enfrentadas em algumas das primeiras etapas da temporada, colocar o carro entre os dez mais rápidos mostrava que os investimentos realizados na oficina começavam a aparecer de forma concreta na pista.
Mas havia uma questão importante.
Quanto daquele desempenho vinha do carro?
E quanto vinha do vácuo?
A classificação daria a resposta.
Sem vácuo, vem o P16

Depois do P8 no treino livre, a classificação colocou o Beccão Racing em P16 para a largada.
Na tomada de tempo, a situação era diferente.
Agora não havia um adversário convenientemente posicionado à frente para cortar o ar.
Era apenas o carro, a pista e o cronômetro.
A diferença apareceu imediatamente.
Apesar de uma volta consistente, não conseguimos reproduzir o mesmo desempenho apresentado no treino livre.
O resultado foi o 16º lugar no grid.
P16.
Exatamente no meio de um pelotão onde qualquer erro nas primeiras curvas poderia custar diversas posições.
A diferença entre o P8 da prática e o P16 da classificação também revelava uma característica importante daquele fim de semana: nosso ritmo de corrida poderia ser significativamente melhor quando estivéssemos inseridos no tráfego.
E tráfego certamente não faltaria.
Seriam apenas 13 voltas.
Não haveria tempo para esperar.
A recuperação precisaria começar imediatamente.
Bandeira verde: começa a escalada
Quando a corrida começou, a estratégia ficou clara desde os primeiros metros.
Era necessário utilizar o vácuo, procurar espaços e evitar ficar preso no meio do pelotão.
A high line se tornou uma das principais armas durante essa primeira fase da prova.
Enquanto os carros se organizavam lado a lado, procurávamos carregar velocidade por fora e utilizar o fluxo de ar dos adversários para construir as ultrapassagens.
O risco era evidente.
Largar em P16 significa estar cercado por carros.
Uma pequena mudança de trajetória pode transformar uma oportunidade em contato.
Um espaço pode existir em um instante e desaparecer no seguinte.
Mas o avanço começou.
Posição por posição.
Carro por carro.
Em poucas voltas, o P16 já fazia parte do passado.
O Top 10 estava alcançado.
E ainda havia corrida pela frente.
Ultrapassagens cirúrgicas

Do meio do pelotão ao Top 5: o ritmo de corrida transformou o Kansas em uma sequência de ultrapassagens.
A partir daquele momento, a corrida mudou de característica.
Não bastava mais aproveitar o caos da largada.
Agora era preciso construir cada ultrapassagem.
Entre os adversários encontrados durante a recuperação estavam nomes como Isabella Robusto, Abidian e Rives.
Cada disputa apresentava um cenário diferente.
Em alguns momentos, o caminho estava na linha externa.
Em outros, era preciso preparar a saída da curva anterior para atacar por dentro.
O Kansas permitia explorar diferentes trajetórias, mas também punia qualquer perda excessiva de velocidade.
Por isso, algumas ultrapassagens começavam muito antes do momento em que os carros efetivamente ficavam lado a lado.
Era preciso observar.
Esperar.
Preparar.
E atacar.
A combinação entre o vácuo e o ritmo conquistado com as melhorias do carro transformou aquilo que inicialmente parecia ser uma corrida de recuperação em algo maior.
Na volta 6, aproximadamente na metade da prova, já estávamos no Top 5.
De P16 para os cinco primeiros.
A pergunta já não era mais se conseguiríamos um bom resultado.
A pergunta agora era:
até onde dava para chegar?
A corrida pelo pódio
As últimas voltas trouxeram um cenário completamente diferente daquele encontrado na largada.
O pelotão intermediário havia ficado para trás.
Agora estávamos disputando as posições mais importantes da corrida.
E cada metro de pista passava a valer muito mais.
A batalha pelo segundo lugar colocou Bowman e Boschley diretamente no nosso caminho.
O ritmo era forte.
As diferenças eram pequenas.
E qualquer tentativa precipitada poderia destruir todo o trabalho realizado durante as voltas anteriores.
O Kansas se transformava em um enorme jogo de xadrez disputado a mais de 200 km/h.
O vácuo podia aproximar.
O ar sujo podia tirar rendimento.
A linha externa podia oferecer velocidade.
A linha interna podia oferecer a posição.
Era preciso decidir rapidamente.
Cada curva era uma decisão.
O caos do Tri-Wide

Tri-Wide no Kansas: nas voltas finais, qualquer contato poderia colocar toda a recuperação a perder.
Então veio um dos momentos mais tensos da corrida.
Três carros praticamente dividindo o mesmo espaço.
Tri-Wide.
Em uma situação como essa, já não existe margem confortável.
Há um carro de um lado.
Outro do outro.
E metros de asfalto desaparecendo rapidamente à frente.
Qualquer movimento mais agressivo poderia provocar contato e colocar fim a uma recuperação construída durante toda a prova.
Para complicar ainda mais a situação, o tráfego de retardatários começava a entrar na equação.
Era exatamente o tipo de cenário em que uma corrida pode mudar completamente em poucos segundos.
Depois de sair do P16 e alcançar o grupo da frente, não havia interesse em jogar tudo fora com uma tentativa desesperada.
Mas também não dava para simplesmente recuar.
O P2 estava ali.
Ao alcance.
E faltavam poucas voltas.
Volta 12: a manobra decisiva

Na volta 12, a manobra por dentro garantiu a segunda colocação depois de uma recuperação de 14 posições.
A oportunidade finalmente apareceu na volta 12.
Penúltima volta.
Depois de estudar o comportamento dos adversários e procurar o momento certo para atacar, surgiu espaço por dentro.
Era agora.
O carro foi colocado na linha interna.
Sem hesitação.
A trajetória permitiu completar a ultrapassagem e assumir a segunda colocação.
P2.
Depois de largar em 16º.
Em uma corrida de apenas 13 voltas.
Era uma transformação completa em relação ao cenário encontrado na bandeira verde.
Mas assumir a posição não significava que o trabalho estava concluído.
Ainda havia uma volta.
E no Kansas, uma volta é tempo suficiente para tudo mudar.
Última volta
A bandeira branca apareceu.
Era preciso manter a concentração.
Não havia motivo para procurar uma manobra impossível pela liderança e colocar o resultado em risco, mas também não existia espaço para relaxar.
Os adversários permaneciam próximos.
O vácuo continuava sendo uma ameaça.
Uma saída de curva ruim poderia abrir a porta.
O objetivo passou a ser executar uma última volta limpa.
Sem erros.
Sem desperdício de velocidade.
Sem oferecer oportunidades.
Depois de tudo o que havia acontecido durante a corrida, os metros finais pareceram passar mais lentamente.
Até que finalmente apareceu a bandeira quadriculada.
P2 no Kansas Speedway.
De P16 para P2.
Quatorze posições conquistadas.
Mais do que um segundo lugar
Os números já seriam suficientes para transformar Kansas em uma corrida especial.
Mas o significado daquele resultado vai além da estatística.
A sexta corrida mostrou uma equipe muito diferente daquela que iniciou a temporada.
O desenvolvimento realizado na oficina começou a entregar resultados.
O entendimento do comportamento do carro melhorou.
A utilização do vácuo se tornou mais eficiente.
As decisões durante as disputas ficaram mais precisas.
E, principalmente, começamos a transformar oportunidades em grandes resultados.
Não foi uma corrida construída a partir de uma classificação perfeita.
Muito pelo contrário.
Foi preciso buscar.
O P2 nasceu de uma recuperação.
E talvez seja justamente isso que torne Kansas tão importante dentro da história desta temporada.
P4 no campeonato
Os pontos conquistados também tiveram impacto direto na classificação.
Depois do segundo lugar no Kansas, chegamos à quarta colocação geral do campeonato.
P4.
Uma posição que começa a colocar o Beccão Racing definitivamente entre os protagonistas da temporada.
Além dos pontos, o resultado também representa mais recursos para continuar investindo na evolução do carro.
E esse ciclo começa a ficar interessante.
Bons resultados geram orçamento.
O orçamento permite upgrades.
Os upgrades aumentam a competitividade.
E a competitividade abre novas oportunidades para conquistar resultados ainda melhores.
Kansas foi, até agora, uma das demonstrações mais claras desse processo.
O carro ainda pode evoluir.
A equipe ainda pode evoluir.
Mas a diferença é que agora existe uma certeza:
já podemos brigar na frente.
De Kansas para o caos de Talladega
E justamente quando começamos a encontrar consistência, o calendário prepara um desafio completamente diferente.
A próxima parada será Talladega Superspeedway.
Se Kansas exigiu leitura de trajetória, controle de acelerador e decisões precisas durante as ultrapassagens, Talladega colocará praticamente tudo isso dentro de um cenário muito mais imprevisível.
Pelotões enormes.
Vácuo constante.
Corridas lado a lado.
Mudanças de posição em questão de segundos.
E a ameaça permanente do acidente coletivo que pode transformar completamente uma prova.
Depois de um P2 conquistado com uma recuperação de 14 posições, chegaremos ao superoval carregando confiança.
Mas confiança não significa tranquilidade.
Em Talladega, ninguém está realmente seguro.
História da Corrida: Kansas
Algumas corridas ficam marcadas pela vitória.
Outras ficam marcadas pela maneira como foram construídas.
Kansas pertence ao segundo grupo.
Começamos o fim de semana estudando pontos de lift e analisando telemetria.
Investimos no carro.
Levamos suspensão e chassi ao Nível 4.
Fomos P8 no treino livre.
Caímos para P16 quando chegou a classificação.
E, quando a bandeira verde apareceu, começamos novamente.
Uma posição.
Depois outra.
Top 10.
Top 5.
Pódio.
Até chegar à volta 12.
A linha interna apareceu.
O carro entrou.
A ultrapassagem foi completada.
P2.
Treze voltas depois de largar no meio do pelotão, cruzamos a linha de chegada 14 posições à frente.
Talvez ainda não tenha sido a vitória.
Mas foi uma daquelas corridas que mostram que ela está cada vez mais próxima.
A temporada continua.
O carro está evoluindo.
A equipe está crescendo.
E agora vem Talladega.
Se Kansas foi uma batalha de precisão, a próxima etapa promete ser puro caos.
Aqui é corrida de verdade.
